O mais interessante ao se deparar com um livro de arte africana é tentar fugir do eurocentrismo. Em vez de acompanhar apenas o que é consumido nos grandes centros, a curiosidade se volta para o que está sendo produzido por artistas fora desse circuito, sejam eles africanos, asiáticos, indianos, sulamericanos, guaranis.
Nesse caminho, dois livros me marcaram. Adinkra – Sabedoria em símbolos africanos reúne os ideogramas da civilização Asante, povo que habita o território que hoje chamamos de Gana. Com mais de 80 símbolos, o livro preserva e transmite aspectos da história, filosofia e valores dessa rica cultura africana.
Outro exemplo é African Artists, uma ampla pesquisa com mais de 300 artistas contemporâneos nascidos ou baseados na África. Com obras de nomes como El Anatsui, Julie Mehretu e Wangechi Mutu, entre muitos outros, o livro mostra a potência e a diversidade da arte africana atual em pintura, escultura, instalação, fotografia e performance.
Mergulhando nessas obras, busco ampliar o meu entendimento do humano a partir do olhar de quem, muitas vezes, foi deixado à margem – mas que segue produzindo imagens profundamente simbólicas, potentes e necessárias. Isso me faz abrir os olhos para coisas que nunca me ensinaram, mas que deveria, sim, ser cada vez mais popular, como a Monalisa de Leonardo da Vinci.
– Sergio Kal