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Frutos da Dinamarca

Nosso desenhista e gravurista Sergio Kal apresenta em tinta pastel seco sua experiência de vagar com o olhar por paisagens abertas, ao mesmo tempo habitadas e disponíveis para um passeio de cores que parece se formar com o vento. A exposição destas obras criadas na residência artística de Glusted, Dinamarca, em conjunto com obras de Francisco Maringelli, também veio para São Paulo e foi curada por Renato De Cara na Galeria Mezanino.

Anualmente a cidade de Glusted sedia a residência que convida artistas de culturas e nacionalidades diversas a conhecerem os modos de vida e vivenciarem suas paisagens, abrindo suas casas, promovendo encontros, conversas e visitas aos lugares que só o interior da Dinamarca tem a oferecer.

A realidade dos moradores, perseverantes no cultivo da terra rochosa, acolhedores na simplicidade e confiança, no cuidado com plantas e animais, o vilarejo simples e secular, que acolhe e acalma, gerou a vontade de registrar esses espaços e habitar as estradas de forma a aproximar e integrar o corpo a esta natureza.

Assim, a leveza e fluidez do pólen, as cores fortes da arquitetura integradora, geraram esse sentimento de tranquilidade num material que se espalha muito fácil, que também se perde no ar, desfazendo-se numa aderência parcial: o pastel, o papel algodão e a tinta seca. A evolução estética deste trabalho é uma resposta ao pertencimento momentâneo, orgânico, daquelas paisagens que seguem escapulindo ao nosso tempo.

A prática da residência artística já é disseminada em todo o planeta, da Rússia ao Chile. De propostas muito diversas, seleciona e sedia artistas por algum tempo – de semanas a meses – enquanto estes pesquisam ou produzem e apresentam um resultado de suas atividades artísticas. Em geral a linguagem não é restrita, podendo o artista realizar um projeto de música, teatro ou cinema, mas a instituição (pública ou privada, museu ou coletivo) pode delimitar a chamada pública a artistas visuais ou cênicos, por exemplo. Em comum há uma exposição ou fala em local público ao final da duração da residência para que a experiência na residência seja compartilhada e reconhecida. e para que seja acessível à comunidade local ou global, podendo até mesmo tornar-se um produto (peça, tela, etc).

O mais interessante da dinâmica da residência artística, que já é respeitada e reconhecida como importantíssima fonte de geração de pensamentos críticos e criativos, é o oferecimento de um espaço informal (livre e sem cobranças didáticas nem comerciais) que permite a evolução do próprio ensino oficial de universidades e centros de arte, ao proporcionar o necessário deslocamento (físico), vivência (em pesquisas de campo) experimentalismo que são os grandes acionadores da investigação e evolução artística – de formatos, ferramentas, mídias, discursos, narrativas e enunciações para formas de dizer e fazer.

São as experiências imersivas em terrenos indígenas (Mexico), entre temperaturas extremas (Islândia), no meio de um circuito de arte que oferece inúmeros espaços expositivos e encontros com curadores e galeristas (nas capitais européias e estadunidenses), a relação com o mato e a natureza – em capitais brasileiras e em Glusted. Muito além da convivência, da solidão e da imersão, residentes do mundo todo finalizam seus processos investigativos como pessoas melhores e maiores.

imagens

  • material de divulgação da residência e expo
  • expo na mezanino
  • quadros
  • fotos da cidade
  • da residência e residentes