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A memória solicita a presença

“A memória solicita a presença” estreou na Galeria Mezanino. Este é o nosso texto criado para
a exposição:

Dividir um corpo em pedaços como forma de melhor entendê-lo, mapeá-lo, estudá-lo. Tentar descobrir onde estão os pensamentos, o que o equilíbrio lombar conseguiu disfarçar, se a curva do tempo apareceu no ombro, e a dor em que osso se assentou. Procurar pelo desejo e não ver nada além de talhos, então enfim trocar a pele pela madeira. Sergio Kal vasculhou imóveis abandonados e pedaços espalhados de casas, que de particulares escancararam suas histórias ao vento. Tomar a madeira como pele, observar sua história visível nas marcas e cortes, e dar-lhe imagens de ossos, é descobrir que o corpo só existe na memória e que sua história só pode ser contada assim: de forma apaixonante e aleatória.

Sergio Kal se apropria de pedaços de madeira, traços de histórias anônimas e ruínas domésticas expostas em caçambas pelo abandono e demolição. Portas, janelas, batentes e gavetas tornam-se um esqueleto humano dividido em pedaços que se deslocam de seu princípio (o corpo) e de seu fim (a morte), gravados numa memória-madeira que lhes dá vida e sugere novas histórias. Este corpo completo, talhado e remapeado a cada olhar, infinito em suas combinações inéditas, é sempre vivo e sempre fugidio.

imagens

  • expo na galeria
  •  impressões em papel de arroz
  • cópias emolduradas. (sergio)